
Um blazer oversized usado com uma calça larga, broches vintage presos em um colarinho de camisa workwear, um vestido fluido lavanda que substitui o preto habitual: observamos essas combinações desde os desfiles da primavera-verão 2026, e elas começam a se estabelecer nas ruas. As tendências de moda de 2026 se constroem em torno de algumas peças fortes e de um quadro regulatório que muda as regras do jogo tanto para as marcas quanto para as compradoras.
Lei anti ultra fast fashion: o que muda concretamente nas nossas compras em 2026
Desde 1º de setembro de 2026, a lei proposta pela deputada Anne-Cécile Violland proíbe qualquer publicidade para plataformas de moda ultra-rápida, incluindo através de influenciadores. Não veremos mais hauls da Shein ou Temu patrocinados nas redes sociais francesas.
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O aspecto financeiro também pesa: um sistema de penalidades moduladas entre 0,25 e 6 euros por produto se aplica a partir deste ano, com um aumento gradual até 10 euros em 2030. Esses custos adicionais estão indexados ao número de referências colocadas no mercado e ao esforço de reparação do fabricante. Os preços das peças ultra fast fashion aumentam mecanicamente, o que reduz a diferença em relação a marcas mais sustentáveis.
Para nós, o reflexo prático é simples: quando identificamos as tendências de moda de 2026 em uma plataforma, verificamos se a marca exibe seus compromissos de reparação e rastreabilidade. Isso se tornou um indicador confiável de qualidade desde a entrada em vigor da lei.
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Cores tendência 2026: lavanda, azul glacial e amarelo em pó
Após várias temporadas em que o bege, o greige e o preto monopolizavam os guarda-roupas, a paleta de 2026 traz mais luz. Três tons dominam as coleções da primavera-verão e começam a se impor para o outono-inverno.
O lavanda, cor central da temporada
Ele aparece em vestidos fluidos, shorts acetinados e bolsas. O lavanda funciona tão bem em look total quanto em um toque único em um acessório. Sua particularidade: pode ser usado em materiais leves ou em couro estruturado sem perder a legibilidade.
Azul glacial e amarelo em pó como complementos
O azul glacial aparece em casacos, suéteres e até na maquiagem, confirmando o apelo por tons congelados. O amarelo em pó traz contraste sem agressividade, especialmente em blazers e camisas oversized.
Para compor um look coerente sem precisar renovar todo o guarda-roupa, podemos nos basear nesta grade:
- Uma peça principal na cor escolhida (vestido, calça ou blazer) usada com básicos neutros
- Um acessório de referência (bolsa, broche ou cinto) na mesma tonalidade para unificar a silhueta
- Uma mistura de dois tons frios (lavanda + azul glacial) que evita o efeito “demasiado sóbrio” do monocromático pastel
Peças-chave da moda 2026: calça larga, vestido fluido e blazer revisitado
As silhuetas desta temporada compartilham um ponto em comum: elas opõem um corte amplo a um elemento estruturante. Não buscamos mais o justo em todos os lugares, mas mantemos um ponto de ancoragem (cintura marcada, ombro definido, acessório rígido).
A calça larga estruturada substitui o slim como peça central do dia a dia. Cintura marcada, caimento solto, corte definido: combina tanto com uma camiseta quanto com um top de renda. Em denim grosso ou em tecido fluido, absorve as tendências workwear e casual chic sem esforço.
O vestido fluido longo, por sua vez, encarna o lado poético da temporada. Ele aparece em várias casas durante os desfiles de Paris e Milão, muitas vezes em cores vibrantes (rosa, laranja, verde oliva). Usado com sapatos minimalistas, continua sendo uma escolha segura para um look feminino sem excessos.
O blazer revisitado é a terceira peça a ser observada. Corte ampliado nos ombros, frequentemente usado aberto sobre um conjunto coordenado, serve como um casaco de transição entre as estações. As opiniões variam sobre esse ponto, mas um blazer levemente oversized em linho ou algodão leve parece se sair melhor do que um modelo em poliéster estruturado assim que as temperaturas sobem.

Moda circular e segunda mão: o padrão de 2026
A moda circular não é mais um argumento de marketing de nicho. Segundo a KPMG, ela entra em 2026 em uma fase de maturidade na Europa, impulsionada pela Responsabilidade Ampliada do Produtor e pelo endurecimento das exigências de rastreabilidade têxtil.
Concretamente, isso se traduz em três evoluções visíveis:
- A segunda mão se torna um reflexo de compra, especialmente entre os menores de 30 anos, e não mais uma alternativa ocasional
- As marcas integram a reparação e o aluguel em sua oferta, sob pressão regulatória
- O re-commerce (revenda organizada pela própria marca) se estrutura como um canal de venda independente
Para nós, como compradoras e compradores, o gesto mais rentável continua sendo verificar a composição e a durabilidade de uma peça antes da compra. Uma calça larga em algodão grosso ou linho se revende bem em segunda mão. Um top em material sintético fino perde seu valor logo no primeiro lavagem.
Materiais e estampas a adotar neste outono-inverno 2026
O couro, já muito presente nas passarelas da primavera-verão, se estende nas coleções de outono-inverno. Ele aparece em saias midi, jaquetas curtas e acessórios estruturados. Os materiais naturais (linho, algodão, lã) ganham espaço em relação aos sintéticos, impulsionados pelo quadro regulatório mencionado anteriormente.
No que diz respeito às estampas, os poás e a zebra se estabelecem como padrões da temporada. Os poás funcionam em pequenos formatos em camisas ou vestidos, enquanto a zebra se limita a acessórios (bolsas, cintos, lenços) para evitar a sobrecarga visual.
A renda também retorna, mas em um registro mais bruto do que antes: sobreposta a uma camiseta básica ou integrada a um top workwear, perde seu lado precioso para se tornar um elemento de textura entre outros.
A temporada de 2026 recompensa os guarda-roupas construídos em torno de algumas peças sólidas em vez de compras impulsivas. Com a lei anti ultra fast fashion, a ascensão da segunda mão e paletas de cores que duram além de uma única temporada, investir em uma calça larga bem cortada ou um blazer em material natural continua sendo a escolha mais rentável a longo prazo.